Manipulação das agulhas

A aplicação da agulha de acupuntura encerra cinco etapas (em ordem): picada,  ajuste na profundidade, manipulação, retenção e retirada.

1. A PICADA através da pele é complicada pelo fato da agulha ser flexível e ter a ponta arredondada, sendo um instrumento mais para afastar do que para cortar tecidos. Cada tamanho de agulha exige um cuidado diferente, as mais fáceis de aplicar são as agulhas de calibre e comprimento médios. Para todas as agulhas, mas especialmente para as  finas ou longas, se pode usar um tubo guia chamado mandril (é um tubo oco um pouco menor que a agulha, a extremidade superior do cabo fica saliente e com uma batida força-se o movimento de inserção da agulha).

2. O AJUSTE NA PROFUNDIDADE é feito sem o mandril e é comparado a uma pescaria: se movimenta a agulha de modo lento, para cima e para baixo (com pequenas alterações na direção quando necessário) percebendo as reações na busca do local exato para a obtenção do Qi (estimulação nervosa periférica).

3. Pode ser necessário realizar alguma MANIPULAÇÃO com o objetivo de assegurar a efetividade do estimulo, incrementá-lo ou direcioná-lo para tonificação ou sedação.  Existem duas manobras básicas: rotação e pistonagem.

A rotação é um movimento circular, no sentido horário ou anti-horário. O habitual é fazer nos dois sentidos alternadamente, rodando o cabo da agulha um pouco para a frente e um pouco para trás entre as polpas dos dedos polegar e indicador.

A pistonagem é um movimento vertical, a agulha é sucessivamente empurrada até a profundidade e puxada até abaixo da pele. Pode se variar a força combinando inserção rápida e retirada lenta (ou o inverso).

Conjugando a rotação e a pistonagem se obtém um movimento helicoidal (como um parafuso) em que a agulha desce girando num sentido e sobe girando no sentido oposto[1].

Realiza-se apenas um tipo de manipulação por ponto mas ela pode ser repetida algumas vezes durante a sessão.

4. A RETENÇÃO é o período de permanência da agulha no ponto. Pode ser curta (até 15 minutos) ou longa (até 30 minutos). Mas existem variantes como: retirada imediata (sem retenção), retenção extra longa (horas) e agulha de permanência (dias). (Durante o periodo de retenção podem ser empregadas técnicas com as da eletro-acupuntura e moxabustão mista).

5. Mesmo o procedimento simples da RETIRADA tem suas peculiaridades, podendo ser em “abertura ou fechamento” do ponto. No “fechamento” a agulha é retirada com delicadeza e o ponto logo pressionado. Na “abertura” a retirada é interrompida logo abaixo da pele e a agulha é vibrada ou girada (movimentada) para abrir o ponto e então retirada sem pressionar.

 

As manobras são divididas em “tonificantes” e “sedantes”. Nas técnicas descritas as para tonificar são: rodar no sentido horário, penetrar lento e puxar rápido, “fogo na montanha” e retirar com fechamento. Para sedar: sentido anti-horário, penetrar rápida e puxar lento,  “frescor do paraíso” e retirar com abertura.

Modernamente as técnicas de tonificação e sedação foram resumidas em: para tonificar realizar movimentos lentos, suaves, com retenção curta da agulha e para sedar fazer manipulação intensa, repetida, com retenção longa. A manipulação e retenção intermediarias são neutras.

 


[1] Existem centenas de manobras complexas, entre as mais famosas estão o “fogo na montanha” e o “frescor no paraíso”.

No “fogo da montanha” a agulha é inserida lentamente com parada em três níveis intermediários onde se realizam nove movimentos circulares ou curtas pistonagens. A retirada é rápida.

No “frescor do paraíso” a inserção é rápida e a retirada lenta com parada e estimulação em três níveis sucessivos.

A versão simplificada dessas duas manobras se resume em realizar “uma puxada e três penetrações” ou “três puxadas e uma penetração”